Pagamento e salário

Veja as diferenças entre salário bruto e líquido

O salário bruto é o salário de um funcionário antes do desconto de impostos e outras deduções. É o valor que fica registrado em sua carteira de trabalho, acrescido de gratificações e horas extras. Ele serve de base para a dedução do imposto de renda, da contribuição para a previdência social e para o cálculo de benefícios e rescisão do contrato do funcionário. Por exemplo, quando um empregador lhe paga um salário mensal de R$ 3.000,00, esse é o seu salário bruto.

Mesmo que, dependendo da faixa salarial, os descontos possam ser elevados, o salário bruto pode ser considerado o ganho total do trabalhador. Afinal de contas, os descontos também geram benefícios para o empregado, seja na forma de aposentadoria, de serviços públicos em geral ou de benefícios da própria empresa, como vale-alimentação e plano de saúde, além dos descontos referentes à pensão alimentícia em alguns casos. O salário recebido pelo funcionário após os descontos é chamado de salário líquido.

Neste artigo, daremos mais detalhes sobre a diferença entre salário bruto e salário líquido, o que isso significa para a sua renda mensal e você saberá como calcular adequadamente a sua renda.

Salário bruto x salário líquido

O salário bruto é normalmente o valor mais alto que está em seu contracheque e é o que está registrado em sua carteira de trabalho. Com o tempo, seu salário bruto pode aumentar devido a aumentos recebidos e reajustes de sua categoria e ficará diferente daquele registrado inicialmente no seu contrato.

O salário líquido, por outro lado, é a quantia que ficará efetivamente disponível para seu uso. Tendo como base o nosso primeiro exemplo, se o seu salário bruto for R$ 3.000,00, o salário líquido será o valor que você receberá após a cobrança de impostos e outras taxas. Considerando apenas a contribuição para a previdência e o desconto do imposto de renda, caso você não tenha dependentes, o seu salário líquido ficaria em R$ 2.657,28.

Na maioria dos casos, o salário líquido aparece em uma fonte maior ou em negrito em seu contracheque. Assim, você poderá diferenciá-lo facilmente do seu salário bruto. Isso é feito para evitar confusões e para que seja possível saber o valor exato que estará disponível em sua conta no dia do pagamento.

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Deduções obrigatórias do salário bruto

A quantidade de deduções que você terá em seu salário bruto não depende apenas das deduções obrigatórias que incidem sobre sua faixa salarial. Há também deduções voluntárias, feitas pelo seu empregador e que se devem, normalmente, às escolhas que você fez sobre benefícios a receber.

Dentre as contribuições obrigatórias, as mais conhecidas são a Previdência Social (INSS) e o Imposto de Renda de Pessoa Física (IRRF). O valor da arrecadação para o INSS é destinado a benefícios como aposentadoria e seguro-desemprego e é descontado em qualquer faixa salarial, variando apenas a taxa do desconto. Quanto maior o seu salário, maior a taxa, mas há um teto de contribuição.

Uma nova tabela do INSS entrou em vigor, em março de 2020, com novas alíquotas de desconto para a previdência social no setor privado, veja:

Faixa salarial e alíquota do INSS:

  • Até R$ 1.045,00 – Alíquota de 7,5%
  • De R$ 1.045,01 a R$ 2.089,60 – Alíquota de 9%
  • De R$ 2.089,61 a R$ 3.134,40 – Alíquota de 12%
  • De R$ 3.134,41 a R$ 6.101,06 – Alíquota de 14%
  • Acima de R$ 6.101,06 – R$ 671,12

Além de alterar as alíquotas e as faixas salariais, a nova tabela instituiu o conceito de alíquota efetiva. Com isso, o trabalhador só paga o total dessa alíquota sobre a parcela da sua renda que ultrapassar o limite inferior de sua faixa salarial. O restante da renda terá uma alíquota inferior descontada. Por exemplo, se seu salário for R$ 1.500, você pagará 9% sobre R$ 455,00 e 7,5% sobre o piso da sua faixa salarial, que é R$ 1.045,00. A alíquota efetiva será 7,96%, e o desconto, R$ 119,33.

O desconto do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), também varia conforme a faixa salarial. Conforme tabela atualizada para 2020, você não paga IRRF se seu salário bruto estiver abaixo de R$ 1.903,98. Acima desse valor, a taxa de desconto varia conforme a faixa salarial do trabalhador, podendo chegar a 27,5% do salário.

Confira a tabela de alíquotas do imposto de renda para 2020:
Faixa salarial e alíquota do Imposto de Renda (IRRF):

  • "Até R$ 1.903,98 – Isento
  • De R$ 1.903,99 a R$ 2.826,65 – Alíquota de 7,5%
  • De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05 – Alíquota de 15%
  • De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 – Alíquota de 22,5%
  • Acima de R$ 4.664,68 – Alíquota de 27,5%

Em primeiro lugar, é importante destacar que o Imposto de Renda é calculado sobre a renda anual do trabalhador. Ou seja, os descontos sobre o salário mensal são feitos com base em uma estimativa do que o trabalhador ganhará ao longo do ano. Ao fazer a declaração obrigatória anual do Imposto de Renda, o trabalhador pode recuperar parte do valor retido na fonte, caso o valor cobrado tenha sido maior do que o estipulado.

Outro ponto importante é que a base de cálculo do Imposto de Renda exclui o valor pago ao INSS e leva em consideração o número de dependentes do trabalhador. Para cada dependente (cônjuge, filhos, enteados, entre outros) é abatido o valor de R$ 189,59 mensais. Além disso, do total que seria descontado é abatido um valor correspondente à faixa salarial anterior.

Por exemplo, um trabalhador com salário bruto de R$ 3.000 e salário-base (após o desconto do INSS) de R$ 2.718,36, teria descontado um valor de R$ 203,88 menos R$ 142,80 (valor padrão referente à alíquota da faixa salarial). Ou seja, o valor efetivamente pago será de R$ 61,08.

Outras deduções

O empregador também pode fazer deduções adicionais ao seu salário por outros motivos. Alguns exemplos são: plano de aposentadoria, taxa de sindicato, participação em plano de saúde, vale-alimentação, vale-transporte etc. De acordo com a legislação federal, essas deduções são voluntárias, mas, dependendo do seu contrário de trabalho, pode ser que você não tenha a opção de excluí-las. É importante que você verifique essas informações no momento em que for contratado.

Quando o desconto é relativo a um plano de previdência privada, isso significa que o dinheiro ainda é seu, mas está sendo depositado em uma conta que você pode acessar apenas em determinadas circunstâncias ou após pagar uma multa.

No caso de taxas de sindicatos ou associações, você pode decidir se quer pagá-las, avaliando os serviços e vantagens oferecidos em cada situação. A principal vantagem de um sindicato é a possibilidade de reunir trabalhadores de uma mesma categoria na hora de negociar salários, benefícios e outras questões referentes à atividade profissional. Já as associações costumam oferecer vantagens como instalações físicas para lazer (como clubes, hotéis e pousadas), descontos em serviços variados e linhas de empréstimo com taxas vantajosas.

O vale-transporte é um benefício obrigatório que o empregador deve fornecer, conforme o regime da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). O empregador pode descontar até 6% do salário-base para cobrir esse benefício, e o valor cobrado não pode ser superior ao do benefício. Caso você não precise de transporte e não queira esse valor descontado do seu salário, pode entregar uma declaração à sua empresa renunciando ao benefício.

Já o vale-alimentação e o vale-refeição não são obrigatórios, a não ser que tenham sido estipulados no contrato de trabalho ou por meio de uma convenção coletiva. Nesse caso, o valor descontado não pode ser superior a 20% do salário, conforme a CLT. Caso não haja desconto, o valor do vale-alimentação ou do vale-refeição passa a ser considerado parte do salário para todos os efeitos, incluindo pagamento de INSS, verbas trabalhistas, etc.

Exemplo de cálculo de salário líquido

Considerando os diferentes tipos de desconto sobre o salário, vamos simular o valor líquido que um empregado irá receber, mensalmente, nas condições abaixo:

Salário bruto: R$ 4.000,00

Benefícios:

Plano de saúde: R$ 400,00 (participação de 50%)

Vale-refeição: R$ 300,00 (participação de 30%)

Vale-transporte: R$ 220,00

Neste caso, para o pagamento do INSS, o funcionário entra na faixa salarial com alíquota de 14%. Como essa alíquota só é cobrada sobre a parte do salário que ultrapassar o piso da faixa, o desconto será menor. No caso do nosso exemplo, ele será de R$ 418,95 e a alíquota efetiva, de 10,47%.

O desconto do Imposto de Renda não incide sobre o valor já descontado para a Previdência. A base do cálculo, então, será R$ 3.581,05, que equivale a R$ 4.000 menos R$ 418,95 de INSS. A alíquota nessa faixa salarial é de 15%, mas do valor calculado é descontado o valor padrão da faixa salarial anterior. Portanto, o desconto desse imposto será de R$ 182,36. Assim, após os descontos de INSS e IRRF, o salário ficará em R$ 3.399,69.

Por fim, devem ser descontados os valores referentes aos benefícios do trabalhador. No caso do vale-transporte, o desconto será inferior a 6% (limite máximo pela CLT) pois esse valor seria igual a R$ 240, enquanto o custo do transporte para a empresa é R$ 220. Logo, é descontado o valor menor. Já os descontos de participação em plano de saúde e vale-alimentação são, respectivamente, de R$ 200 e R$ 90, conforme a participação negociada entre a empresa e o funcionário. No total, os descontos de benefícios somariam R$ 510,00.

Assim, considerando todos os descontos, o salário líquido que o trabalhador receberá em sua conta será R$ 2.888,69.